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Inclusão Processos e Práticas: Arrolamento do Acervo

Publicado em 04/02/2022

Nesta edição dos Processos e Práticas, iremos apresentar as nossas etapas do trabalho de arrolamento no acervo museológico do Museu da Inclusão. Sendo assim, este texto está organizado da seguinte forma: apresentação das coleções museológicas preservadas e a pertinência da atividade de documentação museológica e gestão de acervo.

O acervo do Museu da Inclusão é formado por cinco coleções museológicas, doadas na criação do Museu, antes Memorial, pelos ativistas do movimento social das pessoas com deficiência, Lia Crespo, Leandra Certeza, Ana Rita de Paula, Maria Amélia Vampré e Vanilton Senatore.

Essas documentações passam a ter valor museológico, pois são compreendidas como indicadores de memória, que potencializam e valorizam o patrimônio da pessoa com deficiência. Além disso, essas coleções possibilitam compreender como se deu a participação de cada ativista doador nas reinvindicações em prol dos direitos da pessoa com deficiência, bem como se tornam patrimônio cultural materializado para as próximas gerações e processo de criação por parte do Museu da Inclusão. 

A primeira etapa da documentação museológica é o arrolamento do acervo museológico, essa atividade está inserida na atividade de museus que adotam as práticas da Museologia em suas práticas museais. Essa ação, segundo Padilha (2014), possibilita promover a acessibilização das informações contidas na coleção museológica e atua na função social e cultural na comunidade à qual pertence.

O arrolamento é uma etapa que permite às instituições museais terem conhecimento quantitativo e qualitativo de sua coleção museológica. Sendo assim, o Núcleo de Processos Museológicos do Museu da Inclusão desenvolveu uma planilha para sistematizar as informações iniciais do trabalho no acervo, bem como a escrita de um manual de preenchimento dessa planilha.

A planilha de arrolamento, desenvolvida em Excel, contém os seguintes campos: Número de ordem; Título; Autor; Data; Dimensões; Localização na Reserva Técnica; Observações; Data do arrolamento e Técnico responsável. Após essa ação, foi realizado o teste dessa planilha com o preenchimento dos primeiros registros da coleção museológica. Neste momento, foi possível observar se os campos escolhidos para estarem na planilha de arrolamento precisariam passar por algum reajuste. Em seguida demos início ao preenchimento. 

Para o número de ordem, atribuímos, a cada item arrolado, uma numeração alfanumérica com a sigla do Museu da Inclusão, seguida por uma numeração de 1 ao infinito, por exemplo MdI.0321. Nos campos do título, autoria e data, inserimos os dados identificados nos itens arrolados. As dimensões são referentes a altura e largura, e profundidade em centímetros (a profundidade se aplica em caso de livros e apostilas). A identificação da coleção à qual o documento pertence é feita através das informações presentes nas caixas de arquivo. A localização informa onde o documento arrolado está acondicionado na Reserva Técnica. Além disso, definimos um campo de observações para complementar com informações sobre o documento arrolado que o catalogador julgar necessário. Os campos data de arrolamento e responsável informam a data e o técnico responsável pela execução do preenchimento da planilha.  

Depois desse processo, foi desenvolvido o Manual de Preenchimento da Tabela de Arrolamento. As informações contidas neste manual trazem com detalhamentos o modo e as exceções que cada campo da planilha. 

Com os dados preliminares do arrolamento, o Núcleo de Processos Museológicos fez um levantamento de temáticas associadas ao acervo museológico para serem abordadas em futuras atividades do Museu da Inclusão. O resultado desse levantamento é apresentado em formato de documento ao Núcleo de Pesquisa para que as informações contidas no acervo museológico sejam o ponto inicial para os diálogos que queremos trazer em nossas ações. 

A realização do arrolamento é realizada junto ao Núcleo de Educação. O integrante que desenvolve o trabalho de inventário tem a formação técnica em Museologia. Os resultados que esperamos alcançar nesses trabalhos são de comunicar o acervo museológico durante as atividades educativas com o público do Museu.

Dessa maneira, instrumentaliza-se o conhecimento desses materiais de maneira a elaborar projetos, atividades e ações que discutam tais conteúdos de forma a sensibilizar, formar e orientar diferentes grupos de pessoas que possuam interesse nas temáticas da pessoa com deficiência.

Outro importante ponto ao qual podemos indicar a importância dessa ampla colaboração, debruça-se sobre a óptica conceptiva de exposições e projetos curatoriais que podem ser produzidos colaborativamente a partir de conceitos geradores partindo do acervo museológico preservado pelo Museu da Inclusão.

Em resumo, a documentação museológica faz parte do trabalho de preservação e salvaguarda do acervo da instituição museal, na qual dialoga diretamente com a gestão do acervo. Segundo Monteiro (2014), gerir e documentar um acervo museológico ratifica as informações sobre as coleções musealizadas e as práticas do museu passam a ser planejadas em torno das potencialidades e necessidades dessas coleções museológicas.

A autora supracitada trabalha com a documentação museológica a partir da visão de três disciplinas, a Museologia, a Ciência da Informação e a Documentação. Ao buscar compreender o uso dos termos documentação e objeto-documento na área de gestão de acervos de museus, ela aponta que a documentação é um termo utilizado para associar o trabalho com o registro de coleções, o seu controle. Enquanto a fusão das palavras objeto e documento partem do princípio de que um objeto pode ser considerado um documento, e vice-versa.  

Esperamos que os apontamentos deste texto tenham trazido novas reflexões para vocês. Ainda temos muito trabalho pela frente nesse processo e pretendemos compartilhar cada etapa. Em breve, traremos informações sobre as novas aquisições do acervo museológico e o resultado de seu arrolamento! 

Caso você tenha fotos, objetos tridimensionais, revistas, jornais entre outras tipologias de acervo que contribua com a história do movimento social da pessoa com deficiência entre em contato conosco através do e-mail museudainclusao@museudainclusao.org.br. Iremos adorar receber sua proposta de doação! 


Referências: PADILHA, Renata Cardoso. Documentação Museológica e Gestão de Acervo. Florianópolis: FCC, 2014. Disponível em: <https://www.cultura.sc.gov.br/downloads/patrimonio-cultural/sistema-estadual-de-museus-sem-sc/2352-col-estudos-mus-v2-documentacao-museologica-e-gestao-de-acervos>. Acesso em 02/dez/2021. 

FERREZ, Helena Dodd. Tesauro de Objetos do Patrimônio Cultural nos Museus Brasileiros. Rio de Janeiro, 2016. Disponível em: https://www.tesauromuseus.com.br/ . Acesso em 08/dez/21.

MONTEIRO, Juliana. Documentação em museus e objeto-documento: sobre noções e práticas. 2014. Dissertação (Mestrado em Cultura e Informação) – Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2014. doi:10.11606/D.27.2014.tde-22012015-105632. Acesso em: 2021-12-09.

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